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Maldivas (País Perseguido 06/2012)


Todos os cidadãos devem ser muçulmanos, e qualquer outra religião é proibida. Os cristãos são discriminados pelo governo e sociedade. Não é permitido construir igrejas ou importar materiais religiosos
A IgrejaO cristianismo teria chegado às Ilhas Maldivas através dos portugueses, na segunda metade do século XVI, que tinham interesses comerciais nas ilhas. Os portugueses permaneceram ali por apenas 15 anos. As tentativas de cristianizar as Maldivas por parte de portugueses, holandeses e britânicos foram sem sucesso.Acredita-se que o cristianismo seja praticado apenas por turistas e trabalhadores estrangeiros. Basicamente, os cultos são realizados por pequenos grupos que se reúnem em casas para leituras bíblicas informais. Os cristãos maldívios têm ligações históricas com as igrejas do Sri Lanka, especialmente com os católicos.A Perseguição ReligiosaDe acordo com a constituição de 2008, o islamismo é a religião oficial das Maldivas, seu sistema legal baseando-se na legislação islâmica (sharia). Os direitos individuais são reconhecidos, mas não podem contrariar o islã: é estritamente proibido aos cidadãos maldívios praticar outras religiões que não a muçulmana. Consequentemente, a evangelização é totalmente proibida. Os estrangeiros podem praticar sua fé, mas somente na esfera privada. Além disso, a constituição proíbe os não-muçulmanos de votar e de ocupar cargos públicos.De acordo com o artigo 36 da constituição, é imperativo que os pais e o estado forneçam educação primária e secundária às crianças e que tal educação seja baseada na religião islâmica, mesmo que os pais não sejam adeptos do islamismo.Até 1985, não havia cristãos conhecidos entre o povo maldívio, porém, nos últimos anos, pequenos grupos de novos convertidos têm se reunido para cultuar a Deus e estudar a Bíblia.De acordo com a organização inglesa Christian Solidarity Worldwide, 50 cristãos maldívios foram presos devido à sua fé. As autoridades muçulmanas decidiram buscá-los e prendê-los após a transmissão de um programa cristão de rádio, na língua local. Na cadeia, o grupo foi pressionado a renunciar à fé cristã e a retornar ao islamismo. Segundo informações, esses cristãos ainda foram forçados a participar de orações islâmicas e a ler o Alcorão.Os cristãos maldívios não ficaram surpresos com as prisões. Eles haviam lido sobre a perseguição na Bíblia, mas sabiam que o poder, o amor e a presença de Deus estariam com eles, auxiliando-os a superar aquela situação. A fé daquele grupo provocou forte impacto sobre os demais maldívios. Pela primeira vez, viram seus compatriotas persistirem voluntariamente na fé cristã, apesar dos sacrifícios, sofrimentos e hostilidades. Além da perseguição oficial, os cristãos também costumam ser marginalizados por suas famílias e muitos perdem seus empregos.As Maldivas podem ser um paraíso turístico, mas há padrões culturais muito sombrios debaixo da aparência idílica e o perdão é algo raro. Além disso, as pessoas acreditam e se desesperam com o inferno, pois no islamismo há pouca esperança de se alcançar o céu. Na fé muçulmana, não há cruz, ressurreição ou salvação, e são poucos os sinais que indicam interesse ou amor de Deus pelo indivíduo.Atualmente, os maldívios estão começando a reconhecer que o poder de decidir qual é a suprema verdade para todos os cidadãos não deveria estar nas mãos de alguns poucos indivíduos.História e PolíticaA República das Maldivas é um grande arquipélago de 1.190 ilhas, localizado a 1.600 km a sudoeste da Índia. Essas ilhas de coral agruparam-se em 26 atóis; 200 ilhas são habitadas e 80 são resorts para turistas. O nome Maldivas deriva da palavra árabe Mahal, que significa “palácio” – também conhecido como Dhibat-al-Mahal, ou “palácio de ilhas”. Mas alguns estudiosos acreditam que o nome deriva do sânscrito maladvipa, que significa “guirlanda de ilhas”.As Maldivas foram habitadas a partir do século V a.C. por povos do subcontinente indiano, mais especificamente por drávidas e cingaleses, que introduziram nas ilhas suas práticas e costumes, de acordo com a religião budista. As riquezas naturais (pérolas, especiarias, coco, peixe e búzios) das ilhas fomentaram o comércio dos nativos com outros povos, como chineses e árabes.O islamismo chegou ao país através de comerciantes persas e árabes por volta do ano 1153. O país, que era de maioria budista até então, foi rapidamente islamizado e se tornou um sultanato. Nos séculos seguintes a região foi invadida pelos europeus, que estavam de olho nas riquezas do país e em sua posição geográfica estratégica. Os ingleses foram os europeus que por mais tempo conseguiram exercer influência política sobre as ilhas, transformando-as em protetorado britânico (1887-1965).Em 1965 as Maldivas se tornaram independentes do domínio britânico, após um acordo assinado com o Reino Unido. Três anos depois foi abolido o sultanato nas ilhas e estabelecida a república presidencialista, forma de governo atual. O presidente do país é eleito a cada 5 anos, através do voto secreto do parlamento.PopulaçãoA população das Maldivas conta com diversos grupos étnico-linguísticos, como cingaleses, dravidianos, árabes, australianos e africanos. Sua população é considerada 100% muçulmana sunita.EconomiaAs indústrias de turismo (contribuem com cerca de 20% do PIB) e transportes são o carro-chefe da economia das Maldivas: mais de 700 mil turistas visitam o país anualmente, devido às suas belezas naturais. A pesca representa o segundo maior setor de sua economia, seguida pela agricultura e manufaturas industriais. A pesca é a principal ocupação dos maldívios: este setor emprega cerca de 11% da população do país.
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